Nau a deriva

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Revi o filme O Náufrago (Cast Away) de Tom Hanks. Vale uma observação. Náufrago é de navio. Ele teve um acidente aéreo.

Alguns atores nasceram para alguns tipos de trabalho. Dificilmente consigo imaginar outro ator no lugar de Hanks como Chuck Noland.

Só que a história não é, em minha opinião, sobre o desafio da sobrevivência de Chuck em uma ilha deserta logo após o acidente de avião.

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Caso não tenham assistido ou não se lembrem, a sinopse do filme. Agora, se for o contrário, pode pular o parágrafo abaixo.

Chuck Noland (Tom Hanks) um inspetor da Federal Express (FedEx), multinacional encarregada de enviar cargas e correspondências, que tem por função checar vários escritórios da empresa pelo planeta. Porém, em uma de suas costumeiras viagens ocorre um acidente, que o deixa preso em uma ilha completamente deserta por 4 anos. Com sua noiva (Helen Hunt) e seus amigos imaginando que ele morrera no acidente, Chuck precisa lutar para sobreviver, tanto fisicamente quanto emocionalmente, a fim de que um dia consiga retornar para a civilização.

Este filme tem uma história interessante. Percebam que Chuck ama sua noiva Kelly, interpretada por Helen Hunt. É óbvio que foram feitos um para o outro aos olhos de todos. São o casal perfeito.

Só que é um filme com duas histórias que se torna uma. Escutamos a voz de uma mulher que está enviando um pacote para alguém. Ok, nada demais, se o pacote não tivesse uma certa “Asas de Anjo” desenhado nele.
Histórias a parte, o avião cai e a sobrevivência começa.

Chuck quer se matar, mas seu amor por Helen é mais forte. O desejo de viver para retornar para sua noiva é o que o manterá vivo por quatro longos anos, além de um pacote.

Ele abre pacote por pacote para sobreviver, além da famosa bola Wilson. E a única que ele não abre é justamente a que possui o desenho da Asas de Anjo, que ele guarda para concretizar sua entrega.

E acordando todos os dias logo de manhã, para conseguir sobreviver e retornar para os braços de Helen, Chuck finalmente consegue sair da ilha.
Só que ao retornar, Helen já está casada e possui um filho. A cena é comovente. Queremos, como observadores ocultos de Chuck, tento visto toda sua dor e a luta para voltar para Helen, ódio por ela.

Queremos que ela abandone seu marido e pensamos até que no final eles irão realmente ficar juntos.

E ela realmente vê o quanto ama Chuck. Só que tudo mudou, e o personagem de Hanks percebe isso.

E o que ele faz? Vai entregar o pacote.

Chega no local, um pequeno rancho mas não consegue encontrar a pessoa a quem se destina. E o que ele faz? Deixa-o lá com uma pequena mensagem:
“Este pacote salvou minha vida”.

Tanto é verdade que quando ele faz a vela com o pedaço de porta de algo que não me lembro, ele desenha a Asa do Anjo.

E dali ele segue com seu carro. Para em uma encruzilhada e fica ali, parado sem saber para onde ir ou o que fazer, até que uma caminhonete para, e desce uma linda mulher.

Fica explicito naquele momento que algo acende entre eles. Algumas palavras sobre caminhos e ela segue de volta para o rancho.

E Chuck vê o desenho na caminhonete, a Asa do Anjo.

No final das contas, quem salvou Chuck não foi o amor de Helen, mas sim uma outra pessoa. Foi aquela desconhecida, sem querer e sem saber.

E O Náufrago é um dos melhores filmes justamente por isso. Em mostrar que mesmo juntos, podemos ficar sozinhos e perdidos em uma Ilha. Queremos e ansiamos que aquela pessoa nos salve, para simplesmente sermos salvos por alguém que nunca aguardamos.

Uma bela história de amor e lições. Por isso escolhi a imagem final do filme, em vez de Chuck preso na Ilha ou da famosa bola Wilson.

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