Crítica | Tolkien: Muito mais que Senhor dos Anéis

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Por Allan Marante

Produzido pela Fox Searchlight Pictures e dirigido por Dome Karukoski, um diretor com um currículo praticamente de filmes europeus, Tolkien tem como premissa inicial o que todas as biografias tem, humanizar personalidades.

A trama apresenta-nos um John Ronald Reuel Tolkien, conhecido em suas obras clássicas como J.R.R. Tolkien, jovem e em meio a primeira guerra mundial.

Tolkien, interpretado por Nicholas Hoult, não faz parte de um universo onde existem monstros ou encantamentos, mas sim da realidade de uma guerra de trincheiras. De início, somos apresentados ao exército da Inglaterra, que está combatendo o exército alemão na França. O medo de perder os companheiros e os terrores da guerra mudam a vida de Tolkien. Recomendo ater-se ao nome de um dos cadetes, inclusive!

A primeira sensação que temos, e que é sumariamente positiva, é que não receberemos um documentário sobre as obras fantásticas de Tolkien, mas sobre a sua vida, suas amizades, suas frustrações e amores.

Enquanto observamos o jovem Tolkien moribundo, sofrendo com a febre da trincheira, somos transportados para seus pensamentos e lembranças que justificam a sua presença no campo de batalha.

Tolkien Movie

Ao sermos apresentados para uma versão mais jovem de Tolkien, desvendamos uma criança inteligente e peculiar, apaixonada por línguas e literatura antiga, e que é motivada por isso. Uma das cenas marcantes que nos mostram o quanto as línguas são importantes para Tolkien é quando ele corrige um professor seu sobre a pronúncia de seu nome, e isso cria abertura para futuros laços de amizade com seus colegas de classe.

Somos envoltos em uma narrativa cronológica, onde fatos importantes da vida de Tolkien são ambientados em uma Inglaterra do século XX, com arquitetura e cultura fielmente retratados, como é valorizado no cinema europeu.

É inegável que o público ocidental espere um filme que aborde o trabalho de J.R.R. Tolkien com o “Senhor dos Anéis”, mas o filme surpreende em não depender de “torcer” detalhes relacionados as obras de Tolkien para descrever sua vida.

Ao invés disso, somos apresentados os amigos carismáticos do escritor britânico, seus percalços e frustrações na jornada para tornar-se um acadêmico, as influências que a cultura nórdica e a cultura anglo-saxã tiveram na vida de Tolkien. Não são deixadas de foras pequenas referências a filologia, área acadêmica que Tolkien conquistou seu doutorado.

Runas, lendas germânicas e escandinavas, e até mesmo um diálogo sobre a origem da palavra “Oak”, que significa carvalho, em inglês, com o professor Joseph Wright, enriquecem a trama ao nos mostrar o quanto as línguas são capazes de transmitir nossos pensamentos e emoções.

Emotiva e envolvente, Tolkien é uma biografia focada nos fracassos, desafios, pessoas e em quem Tolkien era, com suas falhas, medos e experiências, que contribuiriam para que ele se tornasse um renomado professor e um escritor com a habilidade de criar um idioma inteiramente novo para ambientar suas histórias.

Tolkien estreia no dia 23 de maio nos cinemas brasileiros.

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