Especial | Brasil de Imigrantes do History

0

O que é um imigrante? Aquele que sai de sua terra com sonhos de conquistar um novo mundo com fortuna e retornar para sua pátria? Pode também ser aquele que sem perspectivas em seu país busca por novas oportunidades em outros locais? Ou por problemas de perseguição e guerras civis são obrigados a praticamente fugir para um país desconhecido?

São todas estas. A imigração não é o que aprendemos nas salas de aula com ilustrações bonitas e que só lembram dos portugueses e tratados com outras nações.

A vinda de Italianos, Japoneses entre tantas outras, não surgiram do acaso ou porque estes não tinham nada de melhor para fazer em seus países e resolveram se aventurar em solo estrangeiro.

Muitos, como no caso de Thái Nghiã (Vietnã) , dono da franquia Gooc, fugiram de seu país, por causa da Guerra. Ainda temos o caso de David Vélez, dono da NuBank, que junto de seus pais também fugiram, mas da Colômbia devido aos problemas internos causados pela guerra do Cartel de Medelim contra o governo colombiano.

Já outras imigrações mais antigas, como dos italianos e japoneses, acabaram sofrendo e muito, com uma nova sociedade, alimentação e língua. Não era fácil para eles.

Lembrem que o Brasil ainda no início do século XX era agrícola. E desde o século passado, a revolução industrial já havia alcançado grande parte da Europa. Portanto, não era nada simples como colocado nos livros, para os italianos trabalharem nas lavouras de café. Muitos se sentiram enganados e fugiam de onde estavam a procura de um trabalho melhor para eles e suas famílias.

Os Japoneses sofreram, principalmente durante e pós Segunda Guerra Mundial, pois no Brasil era proibido falar a língua de sua nação, fazer encontros e outras coisas que hoje achamos tão normais. Como curiosidade, times de futebol tiveram que mudar os seus nomes por serem “estrangeiros”, como no caso do Palestra Itália que virou Palmeiras em São Paulo e Cruzeiro em Minas Gerais.

A vida destes imigrantes não era e ainda não é fácil.

E é assim que o History em coprodução com a Elo, criou a série em 6 partes chamada Brasil de Imigrantes. Com nomes que hoje são sinônimo em nossa cultura, pois nem percebemos mais que elas foram feitas por gente de fora.

Da esquerda para a direita: Alexandre Ostrowiecki (Multilaser), Renato Akira Onma (Sakura), Ana Fontes (fundadora da Rede Mulher Empreendedora), Alberto Saraiva (Habib´s), Maria Viana (Diretora de Marketing do History), David Vélez (Nubank) e Thái Nghiã (Gooc). Foto: Alan Uemura

Sakura, Bauducco, NuBank, Gooc, Habib´s e Multilaser. Nomes de nosso cotidiano que são empreendedorias de imigrantes que vieram para, não tentar a vida, mas fazer de sua vida o melhor.

São histórias de pessoas que saíram para vencer, pois não tinham outra opção. É fácil observarmos suas fachadas e criarmos histórias de sucesso para elas. Mas como isso tudo aconteceu? Porque novamente, estes imigrantes não tinham para onde voltar, como no caso de Thai ou das famílias Ostrowiecki criadora da Multilaser e Veléz do NuBank. Era realmente viver ou morrer para eles.

Desta maneira, o Brasil de Imigrantes irá mostrar, como pudemos conferir na coletiva com estes grandes nomes presentes, suas histórias e as marcas que ficaram em suas almas. Cada um possui um drama que poderia tê-los derrubado, mas novamente, eles não tinham esta opção.

Thai durante o bate papo falou algo que deveria ser uma regra para nós brasileiros: “não reclamo daquilo que não tenho, meu foco é no que tenho.” E é bem colocado já que o empreendedor quase perdeu tudo após um incêndio em sua fábrica e ter sido assassinado após um assalto.

São histórias reais que devem ser vistas e revistas. E ainda acrescentamos que antes de conferir Brasil de Imigrantes, assistam ou revejam Gigantes do Brasil, que mostra outra força de imigrantes que fizeram a força industrial deste país.

Bate papo com os nomes por trás das empresas durante apresentação do Brasil de Imigrantes. Foto: Alan Uemura

Sem dúvida alguma, ser empreendedor é algo no sangue dos imigrantes. É algo que está em nossas raízes como Nação. E conferir suas histórias não é mais uma palestra motivacional, mas sim aula de vida e erros e acertos que podemos aprender para superar nossos maiores erros como pessoas e empreendedores.

Sobre Brasil de Imigrantes

As histórias de seis famílias de imigrantes, que vieram ao país para empreender e hoje comandam grandes e bem-sucedidas empresas, é o mote da produção original Brasil de Imigrantes, que o HISTORY estreia no dia 12 de agosto. Apresentada pela atriz Maria Fernanda Cândido, a série em seis episódios mostra que, além de contribuir com a história e a riqueza do Brasil, esses imigrantes trouxeram na bagagem a força dos seus ancestrais e a diversidade cultural. São eles: família Ostrowiecki (Polônia), Thái Nghiã (Vietnã), família Bauducco (Itália), Suekichi Nakaya (Japão), Alberto Saraiva (Portugal) e David Vélez (Colômbia).

Os episódios de Brasil de Imigrantes, coprodução com a ELO Company, apresentam a trajetória desses empreendedores, desde o momento em que as famílias deixam seus países de origem, em busca de melhores condições, e o começo da vida no Brasil. Para isso, a série explica os fluxos imigratórios e o contexto histórico, social e econômico de cada uma das narrativas, com foco também nas experiências pessoais dos imigrantes.

A produção relata como cada uma das empresas (Multilaser, Gooc, Bauducco, Sakura, Habib’s e Nubank) começou, com seus desafios e dificuldades, e a importância do empreendedorismo e da visão de gestão que auxiliaram a alavancar alguns dos negócios mais bem-sucedidos do Brasil. Cada episódio traz imagens exclusivas das famílias e depoimentos de historiadores, especialistas e jornalistas, entre eles, Ana Fontes, Heródoto Barbeiro, Mara Luquet e Renato Cruz.

“Esta é uma produção bastante especial, pois destaca as histórias de pessoas que tiveram de abandonar seus países de origem, vieram para o Brasil e colocaram o trabalho a serviço dos seus sonhos. São relatos muito inspiradores e que nos encorajam a enfrentar adversidades”, afirma Beatriz Cifu, diretora de Conteúdo Original do HISTORY. “Sem contar toda a contextualização histórica, que ajuda a compreender melhor os elementos sociais e econômicos envolvidos em cada trajetória”, completa.

Na estreia, o HISTORY exibe episódio duplo especial:

Ep. 1 – Família Bauducco: Bauducco (12 agosto)

No Brasil, os imigrantes italianos formam a maior colônia fora da Itália. Seus costumes foram agregados ao cotidiano brasileiro. Um exemplo dessa potência é a trajetória da família Bauducco. Nos anos 50, Carlo Bauducco veio ao Brasil para vender máquinas para fazer pães, mas acabou sendo vítima de um golpe financeiro. Foi quando percebeu que não havia panetone e decidiu abrir a própria doceria. Numa atitude ousada, lançou panfletos de um pequeno avião no Centro de São Paulo divulgando a novidade para a ceia de Natal. Desde então o panetone se tornou tradição na mesa dos brasileiros. Massimo Bauducco conta como manteve e diversificou a fábrica da Bauducco iniciada por seu avô.

Ep. 2 – Família Ostrowiecki: Multilaser (12 agosto)

Após sobreviver ao Holocausto na Polônia, a família Ostrowieck chega ao Brasil com sonhos de recomeçar. Israel, filho de imigrantes, desenvolveu uma tecnologia de reciclagem de cartuchos, tornando-se pioneiro na América Latina. Assim, nasceu a Multilaser. Alexandre Ostrowieck, filho de Israel, assumiu o comando da empresa após a morte do pai e graças à veia empreendedora herdada, revolucionou a empresa da família.

Ep. 3 – Família Vélez: Nubank (19 agosto)

A guerra civil na Colômbia promovida pelos cartéis do narcotráfico, pelas FARC e a extrema direita do paramilitarismo, fizeram com que milhares de imigrantes fugissem do país. É o que aconteceu com a família de David Vélez. Após o sequestro de um tio, a família Vélez muda-se para a Costa Rica em busca de uma vida mais segura. David trabalha no negócio da família, aprende a investir, estuda no Vale do Silício e trabalha para gigantes do setor de investimento. O destino o traz para o Brasil, onde enfrenta burocracias para resolver questões comuns como abrir uma conta em um banco. David, então, tem uma ideia: abrir um banco que revolucione o mercado. É assim que ele atrai um investimento e funda um banco virtual que muda a forma como os brasileiros investem suas economias.

Ep. 4 – Família Nakaya: Sakura (26 agosto)

Com a entrada do Japão na 1ª Guerra Mundial, centenas de imigrantes japoneses fugiram do país em busca de uma vida melhor. Ao chegarem aqui, enfrentaram dificuldades com o idioma e com a culinária. Para se adaptarem melhor ao Brasil, muitos deles, como Suekichi Nakaya, mantiveram tradições japonesas durante toda a vida. Assim, ele começou a produzir shoyu e missô artesanalmente pra atender aos pedidos de parentes e amigos e acabou construindo uma empresa que, quase 80 anos depois, vende um milhão de litros de shoyu por mês. Essa história, contada pelo seu filho, Renato Kenji Nakaya, hoje presidente da empresa, mostra a força da tradição japonesa nos negócios.

Ep.5 – Família Saraiva: Habib’s (02 setembro)

Durante 41 anos, Portugal viveu sob o rígido regime ditatorial promovido por Salazar. Foi nessa atmosfera que o êxodo da imigração portuguesa começou a acontecer. A família Saraiva, proveniente de uma aldeia de camponeses, deixou Portugal e veio para o Brasil sem nenhuma garantia. A família começou vendendo doces na rua até conseguir abrir uma padaria. Mas, com o assassinato do pai, Alberto Saraiva é obrigado a assumir o frágil negócio familiar. É quando ele cria um conceito de precificação ousado e vê seus negócios melhorarem. A partir de então, Alberto abre diversos negócios, até que tem a ideia do que viria a ser o seu maior empreendimento: Habib’s’.

Ep. 6 – Família Thái: Gooc (09 setembro)

A força incansável da imigração vietnamita neste episódio é contada pela família Nghiã. Após o suicídio da mãe, Thái Nghiã foi levado pelo regime comunista para o campo de concentração em Saigon. Ao ser libertado, foge com a roupa do corpo em um bote e chega no Brasil em um navio cargueiro. Sozinho, sem parentes e sem saber o que fazer, decide enfrentar as dificuldades do idioma para estudar e suprir as saudades de tudo o que deixou pra trás. Em uma época em que não se falava em sustentabilidade, Thái encontra uma oportunidade de negócio na reciclagem de pneus, criando uma sandália original e uma marca que conquistou o mercado popular.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *