O que é Blaxploitation?

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Surgia discretamente, na década de 1970, um movimento cinematográfico que se perpetuaria na história do cinema como o gênero que mostrou o trabalho feito por negros e para negros ao mundo. Até então vistos frequentemente em papéis secundários, retratados como vilões e sendo mortos logo no começo dos filmes, os negros se organizaram para contar a história a partir de seus pontos de vista — provocando, entretendo, mas também os espectadores a refletir sobre o racismo.

Shaft acima, é um dos exemplos do estilo.

Com a segregação racial vigente nos Estados Unidos até o final dos anos 1960, o racismo não usava máscaras, mas mesmo com o movimento dos direitos civis para os negros ganhando força, o racismo ainda era sentido diariamente — e até hoje ainda é. Seria então, no mínimo, inocente imaginar que Hollywood retrataria os negros da mesma forma que os brancos protagonistas das produções de grandes bilheterias ao longo desses anos. Apoiado por empresários, atores e diretores negros, nasce o Blaxploitation com filmes que traziam protagonistas negros repletos de personalidade, atitude, camadas em sua construção, heróis e anti-heróis que lutam para amenizar as injustiças sofridas por aqueles que vivem à margem da sociedade. Sem deixar de lado o humor, os filmes traziam determinadas situações com comicidade e ironia retratando vivências que, muitas vezes, encontravam eco na audiência.

HORROR NOIRE: A REPRESENTAÇÃO NEGRA NO CINEMA DE TERROR-DRK.X
Edição exclusiva com postais de filmes

“Pergunta: Porque não há pretos nos filmes de terror?
Resposta: Porque, quando a voz cavernosa diz “CORRA!”, a gente faz isso.”
— Steve Torriano Berry, no prólogo de Horror Noire

Em Horror Noire, livro escrito pela dra. Robin R. Means Coleman, a representação negra no cinema de horror é estudada com profundidade proporcionando a reflexão sobre a forma como a negritude foi trabalhada nos filmes. Uma pesquisa ampla com a análise das imagens, influências e impactos sociais dos negros nos filmes de terror desde 1890 até o presente, Horror Noire inclui grandes produções de Hollywood, filmes de arte, blaxploitation e até as emergentes produções de horrorcore inspiradas pela cultura hip-hop encorajando o leitor a desmontar a imagem racializada do gênero, assim como as narrativas que compõem os comentários da cultura popular acerca de raça. Horror Noire, lançado no Brasil pela DarkSide Books, acende um debate feroz e necessário sobre o poder do horror, seu impacto na sociedade, e suas reproduções como reflexo dela.

“As condições econômicas sob as quais os filmes negros eram feitos fizeram surgir o termo ‘blaxploitation’ — uma união entre os conceitos da palavra negro em inglês (black) e ‘exploração’ —, que é usado para definir os filmes negros da década, fossem de terror ou não. Blaxploitation descreve uma era de lançamentos de filmes negros que frequentemente se inspiravam nas ideologias do movimento Black Power enquanto apresentavam temas de empoderamento, autossuficiência (ainda que nem sempre pelos meios legais) e tomada da consciência.”
— Robin R. Means Coleman, em Horror Noire

blaxploitation, gênero que colocou o rosto dos negros em destaque nos pôsteres de filmes, também passou a ser criticado por muitos negros da época, como revela Coleman, em Horror Noire. “Os filmes foram condenados por líderes de opinião negros em todo o espectro político por causa de seus estereótipos criminais e identificados, com razão, como produtos de estúdios, escritores e diretores brancos, ainda que os filmes se mostrassem populares, principalmente entre os negros que apreciavam ver personagens e comunidades negras na tela”.

Um príncipe africano é amaldiçoado com o sangue de Drácula, e torna-se um vampiro chamado Blacula (William Marshall). Ele desperta de seu sono profundo, sedento por sangue, alimentando-se de pessoas inocentes enquanto persegue uma mulher que lembra sua falecida esposa. 

 

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