Criador de The Witcher falar sobre a adaptação da série da Netflix

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É sabido que Andrzej Sapkowski, criador do universo The Witcher não é bem um grande apreciador da adaptação do game de seus livros. Por este motivo, o site Nowa Fantastyka fez uma entrevista com o autor onde ele falou sobre suas impressões do seriado para a Netflix, a respeito das liberdades criativas nas adaptações e no debate sobre “escravidão” em seu trabalho.

Para aqueles marinheiros de primeira viagem que possam achar que The Witcher é uma cópia de Game of Thrones, vale ressaltar que já fazem 33 anos desde o primeiro conto de Andrzej Sapkowski, The Witcher, estreou na Revista Fantastyka polonesa. O primeiro livro da saga de George R. R. Martin, foi lançado apenas em 1997. E assim como GoT, a história do bruxo Geralt de Rivia é rica com personagens e talvez mais densa em conteúdo, pois ela fala sobre vários assuntos de uma maneira que muitas vezes são um tapa na cara de quem lê.

Voltando a série, Andrzej esteve nos sets de filmagens e disse, ao contrário do que muitos imaginariam, que gostou do que viu. “Eu fui movido. Tudo me fascinou lá, até me deixou sem fôlego – e tudo me foi mostrado. É absolutamente fantástica as decorações que são monumentais, figurinos, maquiagem, atuação, equipe e técnicos. Pareceu uma grande coisa para mim. Porque isso foi.”

Andrzej Sapkowski e Tomek Bagiński no set

Durante a entrevista ele foi questionado sobre a liberdade dos criadores na adaptação, principalmente se existia algo na história de Geralt, cuja mudança o autor discordaria.

“Os criadores de adaptações de obras literárias para outras mídias têm o direito de serem criadores soberanos, com direito irrestrito à liberdade criativa. No entanto, no caso específico dessa adaptação, suas idéias podem ser diferentes das minhas. E mesmo quando algumas de suas idéias são diferentes das minhas, e daí? Meus livros não são a Bíblia.”

Esta resposta foi até interessante e surpreendente, já que é completamente diferente de antigos comentários a respeito da adaptação dos games. Outro tópico, desta vez em relação aos fãs, a respeito da escravidão do mundo de The Witcher, pois é um dos tópicos que mais está inflamando aqueles que conhecem os romances.

“Essa ‘escravidão’ é algo parecido com um mito, pelo qual meus trabalhos foram crescidos – e eu também. O rótulo de ‘eslavo’ foi dado a mim e ficou assim. Por quê? Que Geralt parece mais eslavo que Conan? Que eu trabalhei algo eslavo na análise dos nomes? Minhas primeiras histórias aderiram estritamente ao cânone da fantasia – estou pensando no cânone do mundo aqui. Bem, chegaram as traduções e a indústria de fantasia do mundo teve que aceitar um polonês em cujas obras todos os leitores mais inteligentes pudessem identificar frases “polonesas” ou “eslavas”.”

Andrzej Sapkwoski discutindo figurinos com o figurinista Tim Aslam e Tomek Bagiński

Como sempre Andrzej Sapkowski foi direto em suas respostas a respeito de sua obra e que parece estar gostando dos rumos da série da Netflix. Resta aguardarmos para saber se ela realmente será boa. Por enquanto, os críticos que já puderam conferir os 5 primeiros episódios de The Witcher aprovaram o que viram.

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