Os Órfãos, onde o terror é o desconhecido

0

Antes de iniciar esta crítica, vai uma “crítica” a alguns sites. Todo filme possui um gênero como de ficção, aventura, terror e por aí se segue. Existem aqueles que são produções originais, ou seja, com um roteiro inédito e aqueles, os mais comuns, baseado em algum estilo de obra, desde da literatura, quadrinhos, games etc.

Os Órfãos é baseado no livro A Volta do Parafuso, livro escrito em 1898 por Henry James. Ele em nenhum momento é qualificado como uma escrita de terror ou suspense, já que ele “é muito grande para ser um conto e muito curto para ser um romance”.

E em sua grande maioria, os críticos o qualificam como um “livro que fala de pedofilia e sexo reprimido”, por ser uma obra Vitoriana.

Portanto, a abordagem do filme segue por caminhos que em nada são de outros longas do terror. Portanto, caso tenha lido uma crítica que Os Órfãos é um filme chato e que dá sono em vez de sustos, já sabe que quem escreveu, está muito abaixo do conhecimento literário em que se baseia o filme.

Mas o filme é bom?

Sim! Os Orfãos segue por um caminho diferente e ao mesmo tempo tão conhecido de um suspense psicológico. Aqui seguimos uma professora, Kate, vivida por Mackenzie Davis (O Exterminador do Futuro), que irá morar na mansão e dar aulas para a caçula da família, Flora (Brooklynn Prince, de “Projeto Flórida”). Ela se vê na criança e sente uma empatia, justificando todos os motivos pelos quais ela deve largar a escola onde dá aula para ir ser professora particular da menina. Só que ao chegar, ela se depara com situações que fogem ao seu estilo de vida e também conhece o irmão mais velho Miles (Finn Wolfhard, de “Stranger Things”), que é o grande ponto de interrogação de Os Órfãos.

Daqui em diante as críticas ao modelo como as crianças são educadas e até mesmo tratadas como “puro sangues”, já demonstra o quanto os pais, avós, entre outros, erram ao tratar seus filhos como reis, os tornando assim, verdadeiros ditadores.

Desta maneira, o filme corre por trechos escuros da psique humana onde tudo que é novo, irá destruir de várias formas o seu conhecimento e até mesmo como vê o mundo. São trechos que enganam a personagem central com jogos de sombras, ruídos e até mesmo a maneira como trata duas crianças, onde em certos momentos dar carinho e um abraço em uma é totalmente válido, mas para o menino, é totalmente diferente, chegando até mesmo a mostrar ultraje e repugnância. E isto tudo sem motivo aparente.

A maldade não nasce com a pessoa. Muitas vezes somos nós que criamos os monstros da maneira como a tratamos.

Lógico que o longa leva o espectador a achar que a mansão pode ser assombrada, mas em vários momentos é o cérebro humano o verdadeiro vilão.

E desta forma o longa nos apresenta muitas certezas que acabam se tornando incertezas e vice versa durante a trama. Ele te engana, assim como o pôster, que te joga uma maneira de interpretar sua chamada: Cuidado com as crianças. Sim, cuide delas, não ache que elas são tão boas assim, ou será que são? Como saber? Este é o labirinto apresentado da mente humana através de Kate.

São tantas dúvidas que em muitos momentos o longa lembra jogos de terror como Silent Hill, entre outros que deixam o jogador em dúvida se aquilo é realmente real ou uma viagem alucinante do personagem em um mundo de sonhos. Também vale destacar outros filmes que abusam desta insanidade do gênero japonês e coreano.

Os Órfãos não é um filme fácil de se entender caso queira apenas assistir e ser levado por mais uma aventura. Mas é totalmente imersivo e cheio de teorias sobre a depressão, tratamento com crianças, entre tantos outros transtornos, que se torna uma verdadeira montanha russa com mais altos do que baixos. E mesmo os baixos serão assustadores, pois a natureza humana nunca é tão fácil de se deixar levar, a não ser que seja para a sua ruína.

O filme leva 4 vidas de 5.

Por que devo assistir?

Como está no título da crítica, o verdadeiro terror para qualquer pessoa é o desconhecido. Os Órfãos possui isto em vários níveis, que vão desde uma grande mansão onde é simples se perder por cômodos apertados e antigos, por sua propriedade que mais parece um mundo em preto e branco e que se esqueceu de possuir cores. Segue por nossas dúvidas e inseguranças e principalmente em querer ver a dor de outras em nossas vidas, ao ponto dela se tornar tão real, que até mesmo fantasmas poderão te machucar de verdade.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *