Crítica | Spinning Out – Será que merece uma 2ª temporada?

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Série chegou ao inicio de 2020 e já foi cancelada pela Netflix

Poster da série “Spin Out”/ Netflix

Spin Out ou Spinning Out é uma série original da Netflix, sobre uma patinadora do gelo em ascensão que ao sofrer um acidente é retirada da competição. Com traumas não cicatrizados, a patinadora luta para continuar no esporte, porém, precisa enfrentar desafios decisivos para sua permanência no gelo. Com 10 episódios de aproximadamente 50 minutos, a série aborda temas como o assédio, o racismo, doenças psicológicas, superação, sexualidade e competição entre os atletas, que muitas das vezes se torna algo muito cruel. Kaya Scodelario dá vida a patinadora Kat Baker que após sofrer um grave acidente, uma lesão craniana, que a afastou de uma competição muito importante. Desde muito jovem, suas performances eram solo, no entanto, a única forma dela conseguir uma vaga nas Regionais é se apresentando em dupla com um parceiro. Fora dos ringues, precisa lidar com o temperamento de sua irmã caçula e com o humor volátil de sua mãe. Vale ressaltar que Kat, sua irmã e sua mãe, são todas patinadoras.

Patinar é como respirar. Nem imagino não patinar. E, se eu paro, sinto que estou me afogando.

Outras produções já abordaram as apresentações artísticas como “Cisne Negro” (2010) e “Eu, Tonya” (2017), este segundo até ganha uma menção discreta como referencia em um dos episódios. Mesmo que o longa estrelado por Nathalie Portman seja sobre bailarinas, a similaridade das produções está no tom psicológico e emocional empregado em ambas as tramas e a perfeição a cima de tudo. A visão que a nova produção da Netflix visa ao entregar esses 10 episódios está em desenvolver uma trama que lida com a cobrança da família, do publico e principalmente, do próprio atleta. A trama não trata apenas em evidenciar os traumas de Kat. Se prestarmos atenção cada episódio discorre sobre um personagem que rodeia e faz parte do ambiente em que Kat está inserida, mesmo que indiretamente. Isso faz com que tenhamos a curiosidade de acompanhar a série e ver até que ponto o desenrolar de cada personagem vai, isso sem deixar a peteca cair.

Kat e Justin treinando juntos / Netflix

Kaya desempenha muito bem seu papel que diferente de suas personagens em Maze Runner (2014) e Crawl (2019), consegue dar vida a uma personagem traumatizada e muito talentosa no gelo, porém com segredos que podem por em risco tudo o que conquistou. Mas se você acha que só a Kaya brilhou, engana-se meu caro! Com rostinhos menos conhecidos temos a irmã de Kat, Serena. A personagem de Willow Shields (Franquia Jogos Vorazes) é uma adolescente chata e de temperamento difícil. Às vezes ela tenta ser uma boa irmã, mas logo se torna uma megerinha intragável e manhosa. Mas esse seu jeito é fruto de uma vivencia conturbada com a mãe e a irmã. De um lado para o outro, ela parece uma bola de ping-pong. Hora fala coisas terríveis para Kat, hora é a peste em pessoa com a mãe. Fora isso, é talentosa e por estar se sentindo de lado acaba se envolvendo com outro personagem, que se aproveita dela, num momento bem difícil emocionalmente.

Achei que o nosso destino seria as Olimpíadas.

Temos Justin e sua família, comercial de margarina que também vivem seus dilemas. Com fama de garanhão, perdeu a mãe muito cedo e por mais que seja talentoso, é irresponsável. Seu pai cobra postura dele sempre que pode. Sua treinadora é alguém muito especial para ele e realmente é uma das melhores personagens da trama. Além disso, a treinadora é uma mulher de fibra e de muita coragem. Uma possível inspiração para Kat. Embora ele não goste, Mandy, sua madrasta, é uma das pessoas que mais se importa com ele. Ela também tem seus traumas, muito antes de ser a mulher bem sucedida que é, teve uma bebê aos 15 anos, porém, a entregou para a adoção. Grávida novamente de uma menina, Mandy passa por desafios inimagináveis que irão lhe custar o seu maior segredo, este revelado para James no último episódio. Por mais superficial que seja, a série também trata sobre o racismo. No Brasil, atividades no gelo/neve são pouco conhecidas e aqui não se tem tanta percepção sobre o assunto. Em 23 Olimpíadas de Inverno, apenas 12 atletas negros subiram aos pódios. A história de Marcus poderia ter mais desenvolvimento, pois o ator é promissor e nos entrega um personagem que tem mais coragem do que pode imaginar e conseguimos captar isso.

Mitch e Serena no consultório/ Netflix

Em abril de 2018, o jornalismo da TV Globo mostrou uma série de reportagens que abordavam o assédio que atletas sofreram por parte seus técnicos e por profissionais que deveriam dar o suporte necessário para o desenvolvimento deles. E na serie podemos ver que isso acontece. Mitch, é o mais recente treinador de Serena e Kat desconfia das atitudes dele e acha que ele seria capaz de cometer abusos contra a irmã, quando na verdade ele é o “mocinho”. Infelizmente, ele não teve um final aceitável. No momento em que Carol e Serena mais precisavam, ele esteve por perto, porém, foi magoado da pior forma possível. E quem desconfiaria de um doutor que quer apenas ajudar? Ele se aproveitou de Serena e o final dele é surpreendente. Pena que não saberemos o que acontecerá com ele e Carol.

Todos podem ter um novo capítulo.

Embora seja uma série muito dramática, rende bons episódios e explora um universo que nem todos conhecem. Por exemplo, Kat e Justin não se davam bem, mas precisavam um do outro e a partir daí construíram uma relação. Tatiana Volosozhar e Maxim Trankov são o casal da vida real que deu muito certo. Maxim esperou durante cinco anos o parceiro de Tatiana se aposentar para que ele pudesse formar um par com ela. E foi sucesso. Outra situação muito real é a competição entre os atletas e, talvez, por isso eles se cobrem tanto. Hoje você é o melhor e amanhã aparece alguém melhor do que você… a pressão é tanta que a personagem Jen, mesmo lesionada, continua a patinar e esconde a todo custo seu machucado. Muitos deles, desses atletas só treinaram a vida toda e não tem sabem fazer outra coisa a não ser o esporte que praticam desde pequenos. E tem muito dinheiro envolvido nisso, muito investimento… Então sentimos o desespero que Jen sente.

Jen cai durante uma prova/ Netflix

Mas por que devo assistir essa série?

É uma produção que busca mostrar o lado sombrio da patinação do gelo, um esporte famoso pela beleza estética e a perfeição na execução dos saltos, da coreografia, da apresentação em si. Mas nos bastidores é tão cruel e tóxico, é triste saber que muitos desses atletas vivem esses traumas e o mais bonito é que algum deles consegue lidar com isso. Infelizmente, outros sucumbem na maquina de gelo. O importante é sempre lembrar que existe um recomeço e a série trata disso… Mostra que além das fraquezas, podemos procurar forças e lutar. Mas temos que confiar e buscar não a perfeição, mas o equilíbrio e o nosso bem estar. De forma inesperada, uma possível segunda temporada foi cancelada, mas fica a #dica se você quer saber mais sobre esse universo frio como o gelo. Com ou sem uma segunda temporada, vale a pena conferir.

Achei que o nosso destino seria as Olimpíadas.

Spin Out leva 4 vidas de 5,0.

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