Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa

0

Em primeiro lugar, você não leu errado o título do filme. É FANTABULOSA mesmo. Em segundo, vamos falar do filme!

A Arlequina (Margot Robbie) está de volta. Depois de um filme que todos esqueceram do Esquadrão, ela também resolveu dar um basta de esquecer e terminar com o Coringa. Bem, na verdade, quem terminou foi o próprio senhor C.

O filme que deveria ser uma apresentação das Aves de Rapina é como se fosse uma HQ onde as personagens são mostradas pela primeira vez nas histórias da Arlequina. Algo como trazer alguns heróis, os juntarem no final de tudo, dentro dos quadrinhos do Batman. Portanto, esta é uma aventura da Arlequina!

Tendo isso em mente, não espere por vilões sérios do Homem Morcego, como no caso do Máscara Negra. Os leitores ou jogadores de Batman, conhecem o personagem violento, com ambições de acabar com o Morcego e conquistar Gotham. Pois bem, este não é assim.

Máscara Negra entra para o seleto clube de vilões dançarinos, como das Panteras, entre outros. Mas isso não é denegrir o personagem, pois ele está muito bem feito por Ewan McGregor.

Aqui a história é feita e contada pela palhacinha, com dosagens de loucura, uma narrativa para lá de distorcida e com poucas quebras da quarta parede. E nem adianta querer comparar com o Deadpool, pois a maneira que ela faz isso é completamente diferente. É o mesmo estilo empregado por diversos filmes de comédia romântica ou de Curtindo a Vida Adoidado. Caso já tenha visto filmes deste estilo, já sabe que comparativos com Deadpool são completamente ridículos.

O filme é divertido, faz o espectador rir e possui um ‘Q’ a mas que é a sua crítica direta aos abusos. Cada personagem dentro desta história possui um abuso característico que as mulheres sofrem. Arlequina deixa de ser romantizada em sua relação com o Coringa para mostrar todo o lado de abuso de relacionamento e o quanto é difícil sair dele. E o quanto as pessoas denigrem a imagem de mulheres assim dizendo que estão sempre em busca do “macho alfa”, mas não procuram ajudar. Renee Montoya (Rosie Perez),  é a detetive, mas sua representatividade está nas mulheres que não conseguem subir na carreira e são taxadas de loucas quando querem fazer algo diferente, mas que sempre terá um ‘parceiro’ de trabalho que irá se aproveitar disso e chegar lá em cima. A Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell) é das mulheres que nunca são ouvidas, não importa onde. A Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), com os abusos infantis e que crescem em meio a tanta violência e que qualquer ato mais direto são taxadas com “você tem problema para controlar suas emoções” e Cassandra Cain (Ella Jay Basco) que ainda é uma criança já sofrendo todos os abusos que o mundo pode trazer a ela.

Portanto, este é um filme com um tema atual e que sabe pontuar muito bem esta critica. Se não fossem por personagens vindas das HQs, seria sem dúvida alguma o melhor filme do ano, pois teria uma narrativa muito diferente. Fica a dica para as produtoras e um parabéns a Warner que soube utilizar suas personagens.

Além disso para dar ainda aquele chute final, o roteiro mostra que abuso não é coisa apenas de mulheres ou uma invenção de mulheres que deveriam estar lavando roupa e cuidando dos filhos. O Máscara Negra além de cometer vários tipos de abusos e ter as falas que são verdadeiras armas contra as mulheres, também sofre com o abuso de um manipulador. Isto é muito bem construído, mas que não serve de desculpa para o que ele faz.

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa é um bom filme que deve agradar as pessoas que buscam por diversão e personagens que possuem empatia, além da crítica e por trazer de volta a palhacinha que todos amam. Um dos pontos negativos fica para a demora das apresentações de personagens, que ainda eram feitas até o final do filme. De qualquer forma, isso é muito pequeno perto de tudo.

O longa leva 3,5 vidas de 5.

Observações

  • O filme é colorido quando visto pelos olhos da Arlequina. Assim como a famosa explosão vista no trailer das indústrias químicas. Mas quando visto pelas outras personagens, as cores mudam. Algumas vezes com doses escuras, outras mais puxadas para o cinza. Depende de cada personagem.
  • A Arlequina possui um trecho onde explica o que é um Arlequim. É sem dúvida algo para se pensar sobre quem somos e define muito bem a personagem.
  • Um ponto positivo para o filme foi uma escolha de não sexualizar as personagens, como a própria Caçadora e dar a liberdade das atrizes trabalharem seu lado psicológico.
  • Não tem Coringa, como a produção cansou de dizer.
  • Não tem Batman, como a produção cansou de dizer.
  • O filme tem uma… ‘cena’ pós crédito.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *