Crítica | Amor Garantido

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Amar alguém é uma tarefa difícil. Sabe aquelas borboletas no estomago quando você acha que está com o par certo? Ou aquelas expectativas geradas pelo primeiro encontro? Podem se tornar lembranças muito tristes quando a história de amor termina, pior ainda quando é um término conturbado e devido a isso muitas pessoas se fecham para outras oportunidades de amar alguém e isso por medo de ser machucado. E por isso amar alguém é muito “trabalhoso”, seja no passado ou nos tempos atuais. Hoje, talvez, seja até mais difícil – nós não temos tempo, não encontramos a pessoa certa, tentamos ir nos distraindo com as erradas e, no final das contas, ficamos frustrados com tanto investimento e pouco resultado. Mas então inventaram os aplicativos e redes sociais de namoros que, de uma forma ou de outra, dizem que você encontrará o amor da sua vida através da plataforma deles. Será?

Há algum tempo, houve um processo contra a cervejaria Coors Light porque ela anunciava que sua bebida era feita com água das nascentes das Montanhas Rochosas, o que, obviamente, não era verdade. Tal fato inspirou a criação da história de “Amor Garantido”, comédia romântica da Netflix onde Nick (Damon Wayans Jr.) está decepcionado com o aplicativo de namoro Love, Guaranteed (por isso o título do longa) porque eles prometem o amor verdadeiro em até mil encontros. Como alguém que já está no 986º, ele se sente indignado e procura a advogada Susan (Rachael Leigh Cook) para buscar justiça.

Será mesmo que o amor pode ser garantido por um app? Foto: Netflix/ Divulgação

A premissa beira ao ridículo… como alguém conseguiu ter mil encontros arranjados por um app de namoro? Embora, a trama não deixa de seguir outros títulos do gênero, cheias de clichê, o filme entrega uma boa história com um casal charmoso cheio de química e coadjuvantes engraçadinhos. Longe de ser um romance divertido, o longa não lesa o telespectador. É uma trama clichê que tem como cenário a linda Seattle representada no outono, cheia de paisagens linda e românticas, com árvores marrons, laranjas e amarelas pincelando belos parques e marinas como moldura de um casal atraente e cheio de charme.

Alguns pontos não positivos para a produção, a química entre os dois não é uma das mais fogosas. Wayans Jr. é altivo e charmoso e dribla qualquer tentativa da protagonista de julga-lo como cafajeste com sua altivez e bom-mocismo. Cook é a melhor coisa do filme com bom timing cômico e uma presença conquistadora em tela. É uma pena que a faísca entre ambos resulte apenas em faíscas. Outro elemento que pode incomodar alguns são os estereotipados coadjuvantes como os auxiliares ou a criadora do aplicativo de namoro (não parecia real). Servindo apenas de escadas para Cook brilhar ou fazendo piadas com seus exageros. A trama não tenta trazer nenhum tipo de inovação. Ela bate nas mesmas teclas clichês, com planos abertos para explorar os bonitos cenários, sejam eles externos cheios de beleza natural ou internos com bastante aconchego que qualquer reclamação de falta de dinheiro da protagonista seja apenas uma piadinha sem peso.

Um truque que funcionou muito bem é o velho e detonado carro da protagonista, que precisa recolar a maçaneta a cada vez que abre e fecha a porta do veículo, e cujo aparelho de som prendeu uma fita com músicas dos anos 1980 que começam a tocar aleatoriamente. Isso rende a desculpa perfeita para canções entrarem nos momentos certos – a cena em que I Think We’re Alone Now, da cantora Tiffany, dispara automaticamente resulta em boas gargalhadas.

Amor Garantido leva 3,0 estrelas por entregar o que prometeu desde o início. Trazendo divertidas referências à famosa série “Friends”, atores competentes, boa seleção musical e honestidade quanto a sua proposta, o longa é uma boa pedida para aquecer os corações apaixonados.

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