Crítica | Convenção das Bruxas (2020)

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Muito se tem debatido sobre as adaptações de obras memoráveis ou o famoso remake. Há quem goste e quem não quer ver nem de perto, fato é que com o avanço tecnológico é muito interessante ver o velho atualizado com uma outra estrutura. O reboot de Convenção das Bruxas, adaptação do livro de Roald Dahl, é um daqueles filmes que se tornou um clássicos da Sessão da Tarde nos anos 1990 e que perpetua até os dias de hoje. Mesmo sendo um filme voltado para o público infantojuvenil, o longa além de encantar, apavorou e  deixou muitas crianças que o assistiam com pesadelos. No entanto, você deve estar se perguntando: E como é esse reboot com a Anne Hathaway? Continue lendo.

Convenção das Bruxas – The Witches, no original – é o mais novo lançamento da Warner Bros  e conta com uma equipe de produção e de atuação muito boa. O longa conta com a direção do consagrado Robert Zemeckis (De Volta Para o FuturoForrest GumpContato e muitos outros), além de um roteiro assinado pelo próprio, Guillermo del Toro e Kenya Barris. A trama tem como base a vida de um jovem conhecido apenas como “O Garoto” (Jahzir Kadeem) e sua avó (Octavia Spencer)  que se cruza ao de um grupo de bruxas que odeiam crianças e planejam uma convenção com interesses malignos. Porém, diferente do longa de 1990, esse mais diverte do que assusta.

No início, com a narração, com os fatos apresentados podemos sentir um friozinho no pé da espinha, mas com o decorrer do filme, damos boas risadas e nos divertimos muito. É impossível ter qualquer pesadelo com esse longa. Se você assistiu ao longa de 1990, poderá notar algumas diferenças como o fato da história ser ambientada nos Estados Unidos dos anos 60 e não na Europa. Além disso, notamos frases usadas e o tratamento dado pelos funcionários do hotel aos protagonistas que nos remete a situações racistas e gordofóbicas. Outro detalhe, a representatividade negra se faz presente nesse longa e se mostra como algo muito interessante.

Anne Hathaway aparece careca e com três dedos em cada mão/ Reprodução

A atriz muito bem conhecida pelo seu trabalho em O Diabo Veste Prada,  Anne Hathaway, se mostra uma profissional sem amarras e que se desconstroi facilmente de qualquer trabalho que já tenha feito. O sotaque, o gestual, as expressões, o figurino… tudo nela não causa medo e sim diversão deixando o terror muito mais confortável aos olhos de quem provavelmente teria um “SIRICUTICO” na cadeira. Porém, a representação física da personagem de Hathaway gerou polêmicas. O filme mostra que as bruxas usam luvas para esconder as suas mãos, que não têm alguns dos dedos. Os espectadores incomodados reconheceram a característica como um traço de ectrodactilia e relataram que Convenção das Bruxas ajuda a perpetuar uma antiga e opressiva noção de que pessoas com deficiência física são, de alguma forma, malignas e/ou assustadoras. Em nota, a Warner Bros divulgou uma nota em que pedia desculpas e que esse não era a mensagem que o longa quer transmitir. No entanto, a reverberação foi tão grande que até mesmo a conta oficial dos Jogos Paraolímpicos no Twitter responsabilizou a Warner Bros: “A diferença de membros não é assustadora. As diferenças devem ser celebradas e a deficiência deve ser normalizada.”

Lembra da boca do Coringa de Heath Ledger? Podemos ver leves traços nos rostos das bruxas, inclusive, no rosto da personagem de Hathaway.

Tirando esse “ponto de atenção”, o que realmente chamou atenção foi o uso de computação gráfica para compor os efeitos incríveis do longa. No entanto, é uma brecha para se discutir a artificialidade e o descuido nos filmes de ficção. Porém, relembramos mais uma vez, se trata de um filme voltado para a criançada e na busca pela diversão, é cabível suavizar elementos que desconcertam qualquer um.

A paleta de cores é bem viva com tons de amarelo e roxo sem deixar de lado aquela pegada seiscentista e meio “casa mal-assombrada”. A trilha sonora foi uma escolha bem pertinente e muito interessante e nos faz querer dançar junto com a avó interpretada por Octavia Spencer que mais uma vez mostra uma personagem forte e esperta. As crianças são uma graça a parte, cada uma com sua particularidade e peculiaridade, são engraçadas e espertas, mas se assim como quem escreve, você ficará um pouco decepcionado com o final delas. É engraçado, um tanto bizarro e inesperado.

Mas voltando para a discussão dos remakes… sinceramente? Para muita gente que nasceu e assistiu ao longa de 1990, a adaptação de 2020 pode ser meio “cheguei” ou desnecessária, porém, é o contrário: é uma forma de revisitar o velho e imprimir no novo, uma sutileza e uma leveza de traços e elementos que lá atrás não foi possível devido a tecnologia da época. O remake não vem com o objetivo de desqualificar o original e sim ressaltar as semelhanças e diferenças entre ambos.

Convenção das Bruxas leva 3,5 estrelas de 5,0. É uma boa diversão para um final de semana em família ou não.

 

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