Crítica | A Rebelião

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“A Rebelião” marca a volta do diretor Rupert Wyatt (“Planeta dos Macacos – A Origem”) aos cinemas. A história se passa em Chicago, cerca de dez anos depois da ocupação da Terra por uma força extraterrestre, e retrata a vida dos dois lados do conflito: os que escolheram cooperar e os que tentam resistir.

O longa traz em seu elenco atores como Vera Farmiga (“Invocação do Mal”), Ashton Sanders (“Moonlight: Soba Luz do Luar”), John Goodman (“Atômica”) e KiKi Layne (“Se a Rua Beale Falasse”). 

Filmes de ficção sempre ousaram em suas críticas sociais, como Blade Runner ao mostrar um mundo devastado pelas mega corporações e ter destruído todo o clima, Mad Max, Planeta dos Macacos entre outros.

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E A Rebelião mantém este padrão. Em certo ponto é muito bem feito, mas em outros, totalmente previsível. Isto em parte por culpa do excelente elenco escolhido, onde dificilmente o público mais fiel de cinema e ficção, não irá matar quem é quem durante a história. É como ver um filme com Sean Bean. É quase um fato que ele irá morrer.

Outra parte negativa é o seu roteiro que segue um padrão certo demais que não traz uma reviravolta para o público, deixando com aquela sensação de não ter percebido que estava segurando o ar. E finalizando as partes negativas, fica o único efeito especial da nave.

Mesmo colocando como “negativo” os atores, é praticamente eles que seguram o filme. O “negativo”, é porque sabemos que alguns atores não estão ali apenas para serem meros coadjuvantes na história.

 

O filme poderia ter sido de um país que está ali quieto em seu canto, com seus problemas internos, mas vivendo, até um a nação ser invadida por forças estrangeiras para os libertar da “opressão” de um governo corrupto e instaurar uma nova legislação de quem os invadiu, mas deixar alguns líderes como fantoches dizendo que ainda existe a liberdade. E quando isto tudo acontece, a ilusão de que foram libertados existe, com pessoas que escolhem o novo modelo e outros que preferem, mesmo com todos os problemas anteriores, o regime anterior.

É fácil neste ponto lembrarmos de países como a Síria, Pasquitão, Cuba, Coreia do Norte ou a Venezuela aqui do lado. E criticar seus modelos. Fácil criticar depois que muitos de seus povos resolveram pegar em armas para acabar com o julgo imperialista do ocidente.

E é este o ponto central de A Rebelião. Criticar através de uma invasão alienígena, onde tudo acima foi feito contra o Planeta Terra.

Ashton Sanders stars as Gabriel in Rupert Wyatt’s CAPTIVE STATE, a Focus Features release. Credit: Focus Features

 

Aqueles que lutam pela sobrevivência, os mas pobres, são chamados de terroristas. Porque querem ter seus lares e direitos de volta, enquanto os mais ricos, continuam com seus privilégios e ditam o que é certo para eles e errado para outros.

Vários modelos de crítica são apontados durante a trama, onde o sistema parece ser democrático, mas na realidade é um mundo em que a liberdade de pensamento e de ir e vir foi encerrada. E o que estes alienígenas mas anseiam, é pela nossa matéria prima. Outra alusão ao que muitos países ditos que “entram nas nações para as libertarem”, mais desejam: a matéria prima primordial para o funcionamento do planeta, que é o petróleo.

A Rebelião consegue criticar isto tudo, mas de maneira que faltou um tom mais dramático em sua história e uma abordagem a um dos principais profissionais em todos os países que é o professor. Ele é sutilmente mostrado durante toda a história, comentado em cada momento oportuno, mas sempre de maneira medrosa. Uma pena. Ainda mais em um momento mundial que esquecemos do passado para cometer erros tão grotescos e não permitir que as crianças criem senso critíco.

De uma maneira geral, A Rebelião é um bom filme, que vale a pena ser assistido. Não é uma aventura ou um drama com armas de luz, phasers e naves de batalha, mas uma ficção que te faz pensar.

A estreia no Brasil está prevista para 28 de março, com distribuição da Diamond Films.

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