Crítica | After não diz para que veio

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Tessa Young (Josephine Langford) é uma jovem de 18 anos que acaba de ingressar na faculdade. De roupas recatadas e bastante ingênua, ela é apresentada ao mundo das festas através de sua colega de quarto, Steph (Khadijha Red Thunder), bem mais liberal. Logo conhece Hardin (Hero Fiennes Tiffin), um jovem rebelde que renega o amor, apesar de ter lido os principais romances sobre o tema. Aos poucos os dois se aproximam, iniciando uma ardente paixão.

Confira também a Crítica de O Tradutor

Um dos filmes mais aguardados entre os fãs dos livros criados por Anna Todd chega aos cinemas.

Infelizmente a adaptação chega até um pouco tarde e segue o padrão de outros livros que viraram filmes e não conseguiram explorar todo o potencial de suas histórias.

São muitos filmes adolescentes que parecem apenas querer ganhar dinheiro em cima.

After é ruim em vários pontos. A começar pelo elenco que não entrega um mísero sentimento para que possamos criar empatia. São personagens clichês e pessimamente aproveitados.

A personagem principal é bonita, inteligente, boa filha, teve problema com o pai que as abandonou, só teve um namorado na vida que é mais amigo do que seu amor, anda com roupas “certinhas” e seu sonho é trabalhar com livros, mas só faz faculdade de administração para ter um emprego.

Conhece alguma personagem que não seja assim? O sonho de toda garota é trabalhar em uma editora?

Já Hardin, é o bad boy que anda de preto – ele tem um guarda roupa péssimo -, que não sorri, se irrita facilmente e sem necessidade, tem tatuagem e é rico. Sério?

As amigas são lésbicas com cabelos pintados e com piercing.

Este é um estilo já ultrapassado e que está mais do que na hora de pararem com isso.

Nenhuma garota precisa falar mansinho e ser retraída para ser inteligente. Podemos perceber isso em mulheres fortes no setor da música, artistas, políticas e até mesmo escritoras.

O mesmo para os bad boys. Manter o estilo James Dean é coisa da metade do século XX. E ainda pintar com roupas pretas e com tatuagem? Nem todo bad boy anda de preto e tem tattoo. Que por sinal, alguém poderia explicar o motivo delas? Porque o filme não explica. E ainda para continuar com os “padrões”, é continuar a pontuar lésbicas sendo punks.

O roteiro também é sofrível, já que fica claro em vários e longos e tediosos momentos, com o casal simplesmente se olhando e nada acontecendo. Ou colocar a trilha sonora para completar os pensamentos e sentimentos dos personagens. Já demonstrando que se é necessário colocar uma música para mostrar como eles sentem, é porque foi mal trabalhada a atuação.

Além disso o roteiro não consegue explorar muitas partes mais do que interessantes da obra, que são os relacionamentos de abuso. Isso é simplesmente jogado fora e After vira apenas mais um filme que parece um fanfilm ou clipe criado por fãs para homenagear os “team qualquer coisa”.

Entre tantas falhas os fãs dos livros irão se decepcionar e ficar dizendo o tempo todo – e com razão -, que está faltando determinada parte do livro, que isto não aconteceu desta maneira entre tantos outros pontos.

After infelizmente não diz para que veio e apenas transforma os adolescentes em interesseiros e com pensamentos sem sentido. Uma destas partes, é o protagonista várias vezes dizer que não gosta do pai por ele ter dinheiro e sua mãe sofrer em uma espelunca, mas ele continuar a viver sem problema algum com a fortuna do mesmo e ainda ajudar sua namorada com um belo local para viver, após ela brigar com a mãe. E a mãe de Hardin nem ao menos é mostrada e ficamos no vácuo, como tantas outras cenas sem sentido.

São tantas falhas, que até quem nunca leu um dos livros não irá querer correr para conhecer a obra de Anna Todd.

Fica esse aviso para as produtoras. Nem só de um livro famoso, se faz um filme.

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