Crítica | De Pernas pro Ar 3

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“De Pernas pro Ar 3” já diz a que veio logo na primeira cena. Sob o toque do despertador digital no quarto de um hotel chique, a empresária workaholic e agora milionária Alice Segretto acorda e se arruma apresadamente para mais um dia de trabalho. No momento ela viaja o mundo apresentando a sua grife de produtos sexuais Sexy Delícia. E o longa segue até o final nesse ritmo ágil, mesmo nas cenas românticas. Definitivamente, cansativo é algo que esse filme não é.

Percebendo que o excesso de trabalho vem prejudicando suas relações familiares, Alice decide se aposentar e entregar o comando da empresa à sua mãe Marion. Eis então que conhece Leona, uma jovem fã sua, empreendedora e gênio dos aplicaivos. A moça pretende lançar óculos de realidade virtual com temas sexuais. Ao ver o sucesso do produto de Leona, Alice se vê ameaçada e resolve retomar o comando da empresa para vencer a suposta concorrente.

Com roteiro de Marcelo Saback e da própria Ingrid Guimarães e sob a direção de Julia Rezende (assistente de direção nos filmes anteriores da franquia), o filme não trás grandes novidades em relação aos seus antecessores. Mas provoca boas risadas e abre espaço para discussões interesantes a respeito da sexualidade feminina e a competitividade com a qual a nossa sociedade arma o sexo feminino já nos primeiros anos de vida.

O humor já conhecido parte quase sempre de situações do cotidiano, e nos faz rir quase sempre por identificação – seja por já ter passado por algo semelhante, seja por conhecer alguém que já passou. Algumas situações beiram o pastelão enquanto outras trazem alguma reflexão. Mas a maioria permanece naquele humor leve no melhor estilo do cinema nacional do gênero. A liberdade sexual feminina está presente em boa parte das piadas. Numa cena em que deixa sua filha caçula na escola, Alice conhece outras mães, que logo demonstram desconforto ao reconhecê-la. Enquanto uma delas afirma orgulhosamente não fazer uso dos produtos Sexy Delícia por ser casada, outra espera ficar a sós com Alice pra revelar que é uma das suas maiores fãs/clientes e que “só goza com ela”. Por outro lado, a relação entre Alice e Leona remete ao debate sobre a importância da sororidade nos dias atuais.

O elenco está fiado. Bruno Garcia como o bom marido João equilibra humor e drama muito bem. O jovem Eduardo Mello (ex-Malhação) como o filho Paulinho, recém saído da adolecência, dá conta do recado. Mas são as mulheres que brilham. Além de Ingrid Guimarães, as veteranas Cristina Pereira e Denise Weinberg dispensam comentários. Samya Pascotto, como Leona, demonstra um surpreendente timing cômico, bem como uma química perfeita com Ingrid. Até a pequena Duda Batista impressiona como a filha Clarinha.

Um filme divertido e que poderíamos chamar de boa opção de sessão família, se a família em questão não possuir crianças pequenas. Alguma cenas do tipo lugar comum de humor e romance podem incomodar alguns, mas nada que comprometa o todo. E trás discussões interessante que, se não são aprofundadas, ao menos podem fazer as gerações mais jovens começarem a refletir.

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