Parte 1 | Por que o Coringa pode ganhar o Oscar?

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Este é o primeiro artigo opinião com convidados do Fndom.club.

A pergunta que foi feita para alguns jornalistas é: Por que o filme do Coringa pode ganhar um Oscar, ou não?

Entre algumas opiniões está o fato deste longa ter a produção de Martin Scorsese, que não entra para brincar e a maioria de seus filmes tem um apelo dramático e psicológico fora do comum, assim como, são ganhadores de grandes prêmios.

Outra questão é o Coringa estar no Festival de Veneza, local que a Warner coloca apenas filmes que ela sabe que podem vencer o Oscar.

E lógico, Joaquin Phoenix! E pensando nestes pontos, saiu este convite ao Luã Stewart do site Thunder Wave para opinar e viajar conosco no Por que o Coringa pode levar ou não um Oscar?

Por Luã Stewart – Convidado do Thunder Wave

Desde que notícias começaram a circular pelos portais de entretenimento de que a Warner/DC iriam produzir um filme solo do Coringa, especulou-se muitas coisas, como por exemplo, o ator que daria vida ao vilão de Gotham City. Acontece que o personagem mexe com o imaginários dos fãs de quadrinhos. Coringa tem uma magia que atrai os fãs, principalmente pelo fato dele ser, talvez, o melhor vilão que Batman tenha enfrentado durante suas lutas — claro, ele teve o Charada, o Pinguim, mas nenhum deles, se compara ao Coringa.

O personagem hipnotiza quem o assiste e isso ficou provado em inúmeras HQs em que ele aparece e visualmente, quando o ator Heath Ledger o interpretou brilhantemente nas telonas em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2009), o segundo filme da trilogia Cavaleiro das Trevas, dirigido, produzido e roteirizado por Chistopher Nolan, roubou todas as cenas possíveis e imagináveis do longa. Aliás, não somente as cenas, mas também, os elogios da crítica especializada e os principais prêmios do cinema.

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A atuação de Ledger, o rendeu postumamente, 1 Oscar, 1 Globo de Ouro, 1 SAG, 1 BAFTA, todos na categoria Melhor Ator Coadjuvante por sua atuação em Batman: O Cavaleiro das Trevas. Notícias circularam nos tabloides, na época, dizendo que o ator agia estranhamente durante as gravações do filme. Ele saiu de casa, alugou um quarto de hotel e durante todo o período de gravação, imergiu completamente no que viria a ser, a melhor atuação de sua carreira.

Anos depois, a Warner/DC anunciou a produção do filme Esquadrão Suicida e quem novamente estaria no longa? Exato, o Coringa. Dessa vez, o ator e cantor Jared Leto daria vida ao vilão. Bem, o filme não foi lá um grande sucesso e todo o marketing promocional de Esquadrão Suicida, fora feito em cima de Leto que no final das contas, aparece cerca de 10 minutos, no total, em toda a duração do filme. E a atuação de Jared, bem, não foi lá tão interessante quanto demonstrava ser — isso porque o ator seguiu os mesmos passos de Ledger durante as gravações do filme: saiu de casa, alugou um quarto de hotel durante o período de gravação e passou a agir de maneira estranha nos bastidores do filme.

2019, cá estamos novamente com o filme solo do vilão de Gotham. É para se preocupar e talvez, comparar a atuação de Joaquin Phoenix com as atuações de Heath Ledger e Jared Leto? Mesmo sem ter visto o filme, ainda, já garanto que não: é impossível comparar as atuações dos atores, entretanto, será inegável as comparações. Mas é preciso atentar que, embora são três atores completamente diferentes um do outro, talentosos, sem dúvidas, mas diferentes, o filme também segue um padrão diferente.

Enquanto que em Batman: O Cavaleiro das Trevas víamos ação com pitadas de suspense, em Esquadrão Suicida, a tentativa era ser ação do início ao fim, com tiroteio, lutas, trabalho de direção específica dentro do gênero cinematográfico (ação), impostação do elenco e afins. Já em Coringa (filme), apesar do filme ter sido catalografado como “ação”, há muito mais drama envolvido do que se espera. Começando pelo pôster do longa: as cores que fora usadas para compor a arte, traz sensações de peso, tristeza e cansaço. O mesmo acontece com o trailer — muitos pensam que o trailer é apenas os melhores momentos do filme. De fato, é, mas há muito mais pitacos do diretor em “vender” a ideia do produto do que se imagina.

Os mesmos elementos usados no pôster, foram usados na composição do filme e do trailer. Figurino, maquiagem e demais aspectos que montam um longa-metragem, tudo é devidamente e milimetricamente pensado com o intuito de passar ao espectador, a história que será abordada durante a duração do filme. O trabalho do ator é apenas meramente ilustrativo e figurativo, porque todo o conceito, vem durante a produção do roteiro do longa.

Entrementes, por que o filme do Coringa pode ganhar um Oscar?

Partindo do princípio que há diversas categorias que a Academia criou/cria para premiar os filmes. A Warner Bros. Pictures poderá inscrever o filme em todas, caso haja a possibilidade e se o filme se enquadra dentro de todas as categorias ou então, nas categorias em que o filme se aplica. E aqui vão alguns palpites: Melhor Ator, pela atuação do Joaquin Phoenix; Melhor Ator Coadjuvante, pela atuação do Robert De Niro; Melhor Montagem; Melhor Direção — assinada por Todd Phillips; arrisco um Melhor Figurino, Melhor Roteiro Adaptado — por conter elementos tirados diretamente da HQ “A Piada Mortal” e também, Melhor Fotografia e Melhor Filme.

“A história vai mostrar um personagem nunca antes visto nas HQs da DC Comics. Joaquin Phoenix a um icônico e realista potencial de super vilão, com dores e problemas reais”, disse Todd Phillips, diretor do longa, em entrevista a Empire Magazine. E ressaltou que o longa vai mostrar como alguém comum (Arthur Fleck) pode se transformar num monstro (Coringa). Entende agora o porque Coringa (filme) é mais drama do que ação/suspense? Se pudesse escolher uma palavra-chave para destacar o longa, eu escolheria “saúde mental”.

O incrível Martin Scorsese assina a produção do longa ao lado de Bradley Cooper (o mesmo que dirigiu, roteirizou e protagonizou o premiadíssimo e muito bem criticado remake de “Nasce Uma Estrela”, com Lady Gaga e do mesmo estúdio: Warner Bros. Pictures). Cada vez mais, Cooper envolve-se por detrás das câmeras em produções de temas densos, retratando o real e a vida como ela é, transbordando na caracterização do ator, na fotografia e na montagem final do filme — comparando os trailers de Nasce Uma Estrela e Coringa, há um peso, uma densidade e uma profundidade que reverbera no produto final que vai para os cinemas.

Por fim, eu mal posso esperar para assistir Coringa. Atenham-se ao fato de que não será um filme cheio de ação, arma, não terá o Batman (herói), lutas físicas (a não ser a luta consigo mesmo, a luta interna). Este não é um filme para todos e já adianto que nem todos gostarão do filme ou o entenderá. É um filme conceitual? Sim, é. É um filme de origem? Sim, mas arrisco em dizer que tem mais um tom biográfico do que um vilanesco, propriamente dito. E a DC/Warner tem só a ganhar com esse processo, de desconstrução de um personagem que apesar de encantador, forte e imponente, há um ser humano por trás que fora incompreendido, destruído e rejeitado. Coringa é a minha aposta para um dos melhores filmes de 2019.

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