Resenha | Pancadaria: Por dentro do épico conflito Marvel vs DC

0
Antes mesmo de os super-heróis se digladiarem nas páginas das histórias em quadrinhos, as duas maiores editoras que as publicam – as americanas Marvel e DC – estão há décadas trocando socos para decidir quem é a melhor. Elas são detentoras das propriedades dos personagens mais icônicos da cultura pop. A DC Comics tem em suas mãos o Super-Homem, Batman e Mulher Maravilha, só para citar três dos mais conhecidos personagens em todo o mundo. A Marvel não fica atrás e publica as aventuras do Capitão América, Homem-Aranha, Vingadores e X-Men, entre outros de um rico universo de mitos pop. Ao longo das décadas, Marvel e DC lutam para decidir quem aumenta mais sua base de fãs e admiradores e, claro, quem vende mais e domina essa indústria. Essa batalha, alternada entre altos e baixos – e algumas baixas – de ambos os lados, tem os melhores episódios das clássicas pancadarias que todo leitor de história em quadrinhos sonha ler, mas cujos bastidores desconhecia. Até agora.
PancadariaPancadaria – Por dentro do épico conflito Marvel vs DC revela num texto fluido e delicioso como se iniciou essa rivalidade. O autor, Reed Tucker, jornalista americano especialista em entretenimento e cultura pop, ainda mostra como ambos os concorrentes se alimentam dela, inclusive estimulando a polarização de fãs, que brigam entre si – os marvetes e os dcnautas – para ver qual universo de heróis é o melhor: Super Homem ou Thor? Liga da Justiça ou Vingadores? Batman ou Capitão América?
Baseando-se em entrevistas com grandes figuras do setor, Tucker conta uma instigante história, iniciada nos anos 1930 quando a DC Comics (então National) era a poderosa do mercado de quadrinhos, com personagens como Super-Homem e Batman, dominando os corações e as mentes de crianças ansiosas pelas aventuras de seus heróis. Mas a editora, que sempre voou soberana, assim como seu herói kriptoniano, demorou a reagir quando Stan Lee, um pretenso romancista de meia-idade da quase falida Timely Comics, jogou sua última cartada: ele lançava, em 1961, ao lado de Jack Kirby, o número 1 de “Quarteto Fantástico”.
A nova proposta da Marvel, com uma linha de personagens que, antes de tudo, eram falíveis e humanos, ao contrário dos intocáveis heróis da DC, não só seduziu como ampliou a base de leitores, que passou a despertar o interesse de jovens adultos, com tramas mais complexas e instigantes. Era o início de uma batalha na qual ambas as editoras usariam o que fosse possível para estar no topo: roubos de ideias e talentos, uso de espiões e estímulo a guerra de preços. A disputa se mantém até hoje e foi ampliada com as duas editoras sendo absorvidas por grandes empresas do ramo de entretenimento – a DC pela Warner e a Marvel pela Disney – o que expandiu o universo dos quadrinhos de forma inacreditável, passando a movimentar não só o ramo de publicações mas um verdadeiro manancial de produtos licenciados, como brinquedos, jogos eletrônicos e adaptações para filmes e séries para TV e canais de streaming.
Quem venceu a batalha? Pancadaria mostra que a Marvel ainda continua na dianteira. Mas isso não importa. Afinal, ambas as editoras podem perder o que têm de mais único – suas ideias, seus mitos, suas criações – tragado pelo burocrático e nada inovador mundo das grandes corporações.

Depois disso tudo, vale a pena?

Com uma sinopse abarretadora, Pancadaria é uma verdadeira porrada na cara dos fãs de ambas as editoras. É um livro que vai além de quem é o melhor (para muitos Marvetes e DCnautas só prevalece a força, seja física ou mental), seguindo por quem fez dessas empresas o que elas são hoje.

Marvel e DC não são apenas Homem-Aranha e Batman, indo além com personagens que foram criados por diversos motivos, como a vinda dos imigrantes Irlandeses para os EUA, como um comparativo com Superman. Era e ainda é, uma necessidade das pessoas terem algo palpável e que podiam compreender e se espelhar. Muitos se sentiam como um alienígena neste novo país.

Assim como jovens que não podiam conversar com seus pais a respeito de suas mudanças corporais, a sexualidade, a definição de emprego, o medo de enfrentar as pessoas, etc, que eram bem colocadas em roteiros das histórias de Peter Parker, quando o herói é mais aquele por detrás da máscara.

Pancadaria mostra que a luta entre as editoras segue apenas entre os fãs, e um pouco entre elas para ter um pedaço do mercado, pois sem esta luta, o capitalismo pelo qual elas sobrevivem, as levaria a falência, como praticamente aconteceu com a Marvel nos anos 1990, o que a fez vender os direitos de muitos de seus personagens para outras empresas de entretenimento como a Fox, Sony, etc.

Também vale lembrar de outras editoras que faliram e tiveram seus acervos comprados pela DC, no caso dos personagens como o Shazam, Besouro Azul, entre outros, que acabou gerando uma das maiores sagas da DC, Crise nas Infinitas Terras, que serviu para colocar a casa em ordem.

São muitas histórias e bastidores que os leitores mais antigos irão se lembrar e rir de como eram as coisas naqueles tempos. Assim como as gerações mais novas irão se surpreender e até mesmo achar impossível de como as coisas eram criadas e feitas na cara e na coragem, o que fizeram de pessoas como Stan Lee, muito mais do que meros criadores de personagens, mas sim verdadeiros heróis em terem deixado mais do um legado para tantas pessoas ao redor do mundo.

Pancadaria: Por dentro do épico conflito Marvel vs DC, é uma verdadeira aula de história não apenas destas editoras, mas também das mudanças econômicas e sociais pelas quais passaram e sobreviveram durante décadas e que ainda lutam nos dias atuais para se manterem.

Sem dúvida alguma, um livro para aqueles que querem saber mais sobre estas editoras, economistas, administradores, seja quem for!

A edição que recebemos da editora Rocco possui uma capa bem retrô, lembrando as clássicas capas de quadrinhos, com relevo em seu nome e o selo da Fábrica 231 pela qual foi lançada. Ainda possui notas bem divididas de cada capítulo no final do livro que irá ajudar os leitores a se situarem melhor em cada detalhe que o autor escreveu. Portanto, não deixe de conferir as notas!

O livro leva 4 “só mais um capítulo” de 5.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *