Crítica | O Escândalo

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Por Tamara Yumi

O Escândalo (Bombshell, no original) é o novo filme do diretor Jay Roach (Trumbo: Lista Negra), e conta com um elenco de peso que inclui Margot Robbie, no papel de Kayla Popsil, Charlize Theron, como Megyn Kelly e Nicole Kidman, que interpreta Gretchen Carlson.

Baseado nas acusações de assédio sexual que sugiram contra o então CEO da Fox News, Roger Ailes (John Lithgow), o longa mostra o desenrolar desde a decisão de Gretchen em fazer a denúncia contra o executivo e a empresa em que trabalha.

No ano de 2015, juntamente com o primeiro debate Republicano para as eleições do ano seguinte ocorrendo, Megyn que estava sendo uma das mediadoras do debate pela emissora ao fazer uma questão direcionada ao então pré-candidato Donald Trump, causou o começo de uma batalha entre os dois. Usando imagens gravadas na época para mostrar a resposta de Trump, o filme se torna um misto de ficção e realidade.

Juntamente com essa história se desenrolando, vemos Gretchen consultando com advogados sobre as acusações de assédio, que realmente vão a público após a sua saída da emissora em 2016. Em meio a essas duas histórias, temos Kayla, uma jornalista com uma ambição e que deseja chegar a uma posição de destaque na emissora, acompanhamos como ela também é assediada por Ailes e como isso reflete em sua vida e suas decisões.

A Fox News sendo um canal conservador e apoiador de Trump tenta amenizar a tensão entre Trump e Megyn, o que causa certo incomodo na jornalista por sentir que a emissora estava virando as costas para ela, podendo ser esse um dos motivos que posteriormente ela se juntaria a Gretchen nas denúncias de abuso sexual. O longa se encerra com Ailes sendo obrigado a pedir demissão e a assinatura do acordo por Gretchen.

Crítica atual

Kayla que é interpretada por Margot é uma das personagens fictícias da história, mas que mostra como mesmo as acusações de Gretchen e Megyn sendo de anos posteriores ainda estava ocorrendo a todo momento dentro da emissora. Não apenas vindo de Ailes, mas de outros executivos de alto escalão da Fox News.

Sendo retratada da visão feminina das três personagens principais é possível sentir a todo momento como a visão conservadora e também por muitas vezes machista da emissora influencia não apenas na carreira das três, mas de toda a equipe, como um contrato silencioso sobre o que acontece naquele prédio, fica ali mesmo. Muitas vezes as cenas são mescladas com cenas reais que foram recuperadas para integrarem o longa, principalmente de outras emissoras, sobre as reações as notícias, tanto de Megyn e Trump quanto das acusações de assédio dentro da Fox News.

A estreia do filme, estranhamente coincide com mais acusações de assédio sendo feitas contra George Murdoch da própria Fox News, que indica que mesmo a emissora tendo feito um pedido de desculpas na época em que o acordo de Gretchen foi assinado, nada realmente tenha mudado dentro da empresa.

Apesar da crítica direta, o longa encerra mostrando a diferença que foi paga para Roger Ailes e para Gretchen Carlson, enquanto ele recebeu 40 milhões de dólares, a jornalista recebe 20 milhões. Com certeza as denúncias são de extrema importância e forçaram algumas mudanças, mas o questionamento, juntamente com as acusações recentes fazem com que as pessoas se perguntem o que realmente mudou, se é que algo realmente mudou na emissora conservadora.

O filme leva 4,5 vidas de 5.

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