Mulher-Maravilha em dose dupla este ano

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Gal Gadot retorna ao papel de Diana Prince ainda neste ano em Mulher-Maravilha 1984/ Warner

Depois de 2017 o universo nerd ganhou novos ares, isso devido ao primeiro filme solo de uma heroína que é dirigido por uma mulher. Isso mesmo, as mulheres já tinham um espaço, mas depois desse filme ficou evidente que precisamos de mais representatividade no meio. O longa estrelado por Gal Gadot, mostra a primeira aventura da heroína, quando ela deixa Themyscira para acabar com uma grande guerra. Desde o dia 26 de junho, a Netflix  disponibilizou no seu catálogo o longa Mulher-Maravilha. Lembrando que este ano, Gal Gadot retorna ao papel de Diana Prince em Mulher-Maravilha 1984. Chris Pine também volta ao papel de Steve Trevor, enquanto Kristen Wiig será a vilã Barbara Minerva, a Mulher-Leopardo, e Pedro Pascal será o também vilão Max Lord.

Mas antes de assistirmos a sequência de Wonder Woman, que tal relembrarmos o primeiro filme?

O longa de 2017 traz a origem da personagem Diana, que é uma amazona da ilha de Themyscira e se prepara para enfrentar um mal que assola o mundo e que está sendo destruindo através da primeira guerra mundial. É o melhor filme do universo estendido DC, traz cor, luz, cenas bem filmadas, coração, personagens cativantes e uma história coesa, além de abordar questões sociais de forma sutil e natural.

O filme foge da “receita tradicional” da DC/ Warner Bros com produções sombrias e pesadas. “Mulher Maravilha” conseguiu ser esteticamente muito bem construído, pois Patty Jenkins fez com que o longa tivesse um visual bem colorido, algo que faltava nos filmes da DC, e o mais interessante é que não destoa do restante do universo. Ainda assim, não se assemelhou nem um pouco das produções da Marvel. Ou seja, o longa produzido por Jenkins tem uma identidade visual bem marcante e própria.

Diferente do que sempre vemos em contos de fadas em que a personagem feminina tem como principal meta ou desejo sendo o “amor”, a trama faz com que os objetivos de Diana sejam outros. É possível fazer um filme em que a meta da personagem feminina não seja o amor e sim colocá-la como agente principal de sua própria vida. A mulher pose sim guerrear, cuidar dos outros, buscar por seus interesses sociais como vemos numa cena em que era proibido a participação de mulheres em âmbitos políticos e nesse momento vemos que Diana reclama e se impõe. E isso nos lembra que por muito tempo muitas mulheres não podiam votar ou que não eram consideradas cidadãs como na Grécia Antiga. Não, o filme não é feminista. É um projeto que tem uma heroína muito poderosa e a critica social se dá em virtude de ser um perfil pouco explorado no cinema. Por outro lado, também não é machista. Pois, ela é uma amazona, uma guerreira de uma ilha isolada e com clima tropical. E de certo modo, Jenkins tem uma visão das cenas que ao invés de vermos uma heroína como símbolo sexual, vemos sim uma heroína sexy, porém poderosa. E ela não precisa ostentar o seu poder ou o fator de ser heroína, Diana fala por si só.

Conforme o filme vai se desenrolando, vemos o “donzelo indefeso” que não é tão desamparado assim e ganha mais destaque do que as mocinhas que estamos acostumados a ver, isso se dá pelo fato de Chris Pine, o Steve, ser um soldado espião e esse detalhe dentro da trama faz sentido e se ela precisa dele para resolver questões burocráticas isso tudo é explicado pelo contexto histórico de machismo da época que colocariam muitos obstáculos na trajetória dela e isso o roteiro trabalha no desenvolvimento de Steve muito bem, porque garante um carinho ao personagem pelo publico mas sem tirar o protagonismo de Gal Gadot, que é carismática e ao mesmo tempo tem uma postura de mulher forte e durona. Sim, tem momentos em que é possível shippar Steve e Diana, eles fazem um belo casal. E mostra a inocência da personagem, que vê o prazer em pequenas coisas, como num sorvete. É ação, fantasia, aventura e até tem uma pitada de romance, mas trata de amor entre pessoas e de um amor pela humanidade. Pode ser clichê, contudo vemos o desenvolvimento de uma heroína, uma mulher forte e determinada, mas sensível e capaz de amar. A jornada da heroína foi bem usada.

Mas por que devo assistir ao filme?

O roteiro é bem seguro e garante um bom filme. O humor ou cenas cômicas são na medida, não são forçadas. E toda cena se amarra na outra, sem puladas bruscas que destoam do objetivo que é fazer um bom filme. Outro aspecto são as cenas de ação bem coreografadas e o uso de câmera lenta e movimentos absurdos por Jenkins de forma alguma tenta chamar atenção para sua direção e sim ressaltar as habilidades físicas das amazonas e consequentemente da Mulher Maravilha. E a trilha tema da personagem é de arrepiar quando posta em cenas de muita porradaria. Outro ponto é que quem assiste e até mesmo a própria personagem vai aos poucos descobrindo as suas forças e habilidades o que torna o filme natural.

Vale ressaltar, que não é um filme de heroína contra vilões e sim sobre o surgimento de uma heroína. Os vilões e os personagens que tem uma participação mais engraçadinha desempenham bem seus papeis. A trama não fica entediante e foge do arquétipo de ostentação, construção pesada, sombria e humor exagerado adotado pela DC nas ultima produções como Batman VS Superman e Esquadrão Suicida, que não surpreenderam tanto assim. Bom, o que podemos esperar de “Wonder Woman 1984”?

“É o nosso dever sagrado defender o mundo e é isso que eu vou fazer.” – Wonder Woman

Mulher Maravilha leva 4,5 vidas. É uma obra surpreendentemente digna de ser enaltecida.

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